Eu sei que o título é a última coisa que devemos colocar no texto, mas eu nunca fui muito boa em escrever sem ter um assunto e depois ter que resumir tudo aquilo em um título. E neste caso, não poderia escolher outro...
Eu não escrevo meus textos na máquina de escrever e transcrevo para o blog (infelizmente). Queria ter um arquivo com registros dos meus textos com aquela letra de tinta bem marcadinha.
Na verdade, o que eu queria era poder usar a máquina, deslizar aquela alavanca e ouvir aquele sonzinho de quando "você já escreveu demais, vamos mudar de linha".
A história da máquina de escrever é (resumidamente) a seguinte:
Com esta onda de que a moda é o vintage, eu selecionei alguns itens que eu queria que ressurgissem e fizessem parte da minha vida. Das minhas muitas paixões, (música, escrever, comer, fotografia...) do passado, o que eu mais queria eram duas coisas: uma máquina de escrever e uma Polaroid.
Depois de muito desejar e não poder comprar, eu acabei ganhando uma. Um senhor bondoso cedeu aos meus cuidados.
Ela é velha, pesada, com botões sobressalentes (do jeito que eu queria). Juro que foi como ganhar um mega presente. E a danada estava funcionando! Quando ela chegou no meu quarto eu não me cansava de deslizar aquela régua só para ouvir o danado do "DÍM" que era o que mais me dava prazer naquela coisa. E agora, eu podia fazer aquele som, e era o máximo.
Este som acabou tronando-se algo muito interessante, como não uso a máquina para escrever, eu sempre que posso, "meto" a mão na alavanca para ouvir aquele barulhinho sutil e saber que ela está alí, útil, mesmo que de uma maneira fútil. Aquele sonzinho é era algo tão gostoso para mim, é um sonzinho de "vamos começar de novo" e uma resposta: "oi, estou aqui e eu funciono!"
Viagem né? Mas foi da falta deste barulho que cheguei até aqui.
Minha conclusão é:
O que um hábito, por mais estranho que seja, faz na nossa vida. Por mais fútil que pareça aos outros, pra você, aquele detalhe representa algo algo na sua vida ( seja bom, ou seja ruim), e quando há uma quebra na rotina, aquilo que era quase que imperceptível traz um impacto esquisito. Pode deixar uma reflexão (no meu caso), um vazio, saudade...tudo depende do contexto.
No meu caso, eu fiquei magoada com a falta do barulho. Não vou inutilizar a máquina por este motivo, mas por alguns dias vai ser muito estranho não escutar aquele sonzinho.
Acho que tudo na vida, por mais inútil que pareça, pode fazer com que a gente saia do óbvio e comece a interpretar acontecimentos de uma forma diferente.
Nada é inutilizado por completo! Nem as decepções.
A vida tá aí, em cada detalhe podemos tirar uma lição.
E aí? Algum objeto vintage já te fez chegar a alguma conclusão? (rs)
A música de hoje é:
Phoenix- 1901
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